{"id":6214,"date":"2021-12-15T16:57:27","date_gmt":"2021-12-15T15:57:27","guid":{"rendered":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/?page_id=6214"},"modified":"2021-12-15T19:03:01","modified_gmt":"2021-12-15T18:03:01","slug":"livro-4","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/estatutos-pt\/livro-4\/","title":{"rendered":"Livro 4"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Livro 4<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c31\">Cap\u00edtulo 31<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>O regime da Ordem<a href=\"\/moines\/pt\/estatutos-pt\/livro-3#c30\">\u00ab<\/a><a href=\"#c32\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros Priores da Ordem, querendo assegurar a continuidade e a estabilidade do ideal cartusiano, decidiram de comum acordo celebrar um Cap\u00edtulo Geral na Grande Cartuxa; todos submeteram \u00e0 autoridade deste Cap\u00edtulo suas Casas, para que as corrigisse e as conservasse em vigor, e prometeram ao mesmo obedi\u00eancia, em nome pr\u00f3prio e de suas Comunidades. Assim se consolidou para sempre o la\u00e7o de caridade que une as Casas e a todos os membros da Ordem, resolvidos a avan\u00e7ar prazenteiramente pela senda do Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cap\u00edtulo Geral se celebra cada dois anos, e a ele assistem os Priores, os Reitores, o Procurador Geral e os Vig\u00e1rios de monjas Se n\u00e3o pudesse assistir algum dos que est\u00e3o \u00e0 frente das Casas, delegar\u00e1 num monge professo solene. Se alguma Casa n\u00e3o tivesse Prior, o Reverendo Padre poder\u00e1 convidar a algum monge da mesma, professo de votos solenes, a que assista ao Cap\u00edtulo Geral. Todos os quais no Cap\u00edtulo gozam dos mesmos direitos e fun\u00e7\u00f5es, a saber, os dos Priores.<\/p>\n\n\n\n<p>A Assembl\u00e9ia na que se re\u00fanem todos os que t\u00eam os direitos de Prior, e tamb\u00e9m os demais monges que possivelmente se encontrem entre os Definidores, chama-se Assembl\u00e9ia Plen\u00e1ria, a qual preside o Reverendo Padre. Esta Assembl\u00e9ia tem potestade para opinar de todos os assuntos referentes \u00e0 Ordem, menos os que s\u00e3o concorr\u00eancia do Definit\u00f3rio. Tamb\u00e9m d\u00e1 a Assembl\u00e9ia seu voto consultivo sobre os pontos propostos pelos Definidores, e em tais casos estes n\u00e3o d\u00e3o seu voto.<\/p>\n\n\n\n<p>O Definit\u00f3rio, presidido pelo Reverendo Padre, est\u00e1 constitu\u00eddo pelo mesmo Reverendo Padre e por oito Definidores eleitos segundo se diz em outro lugar. Exceto o Reverendo Padre, ningu\u00e9m pode ser eleito Definidor, se o foi j\u00e1 no Cap\u00edtulo Geral precedente.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo Definit\u00f3rio opina a respeito das pessoas e das Casas. Em cada Cap\u00edtulo Geral, segundo a comum obedi\u00eancia prometida e devida ao mesmo, todos os Prelados pedem miseric\u00f3rdia, para que o Definit\u00f3rio possa deliberar a respeito de sua absolvi\u00e7\u00e3o ou confirma\u00e7\u00e3o. Pois, segundo nossa tradi\u00e7\u00e3o, o Prior desempenha seu cargo enquanto pode exerc\u00ea-lo com proveito da Comunidade a ju\u00edzo do Cap\u00edtulo Geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m corresponde ao Definit\u00f3rio nomear ao Procurador Geral, que representa \u00e0 Ordem ante a Sede Apost\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode estabelecer nem levar a efeito nada contra o contido nestes Estatutos que diminua o antigo rigor da Ordem cartusiana, a n\u00e3o ser que seja aprovado em dois Cap\u00edtulos sucessivos, ao menos por dois ter\u00e7os dos que de fato tenham dado seu voto.<\/p>\n\n\n\n<p>Se uma Ordena\u00e7\u00e3o, ainda que n\u00e3o afete ao rigor da Ordem, mudasse, no entanto, nossa observ\u00e2ncia substancialmente em algum ponto, n\u00e3o pode promulgar-se, salvo que obtenha pelo menos dois ter\u00e7os dos votos emitidos de fato, e dever\u00e1 ser confirmada pelo seguinte Cap\u00edtulo na mesma forma.<\/p>\n\n\n\n<p>O Reverendo Padre, isto \u00e9, o Prior de Cartuxa, \u00e9 Ministro Geral de toda a Ordem. Elege-o a Comunidade da Grande Cartuxa, mas esta elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem valor jur\u00eddico at\u00e9 que seja aceitada pelo col\u00e9gio ou reuni\u00e3o dos Priores, as Prioras, e os Reitores.<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer que tenha sido eleito Reverendo Padre, n\u00e3o pode recusar este of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>O Reverendo Padre, a quem corresponde como Ministro Geral conservar a unidade da Ordem, tem potestade ordin\u00e1ria sobre as monjas cartuxas.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os que gozam de autoridade na Ordem, considerem sempre a mente e as leis da Igreja como norma suprema segundo a qual se t\u00eam de entender as tradi\u00e7\u00f5es da Ordem. Os Priores, a quem seus s\u00fabditos devem pronta obedi\u00eancia, conv\u00e9m que a sua vez d\u00eaem exemplo a seus religiosos, submetendo-se humildemente \u00e0s ordena\u00e7\u00f5es do Cap\u00edtulo Geral ou do Reverendo Padre, e n\u00e3o as criticando adiante de outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fomentar melhor a comunh\u00e3o de nossa Ordem com o Sumo Pont\u00edfice, o Reverendo Padre tem de enviar cada seis anos um breve relat\u00f3rio sobre a situa\u00e7\u00e3o e a vida da Ordem \u00e0 Sede Apost\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c32\">Cap\u00edtulo 32<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>A visita Can\u00f4nica<a href=\"#c31\">\u00ab<\/a><a href=\"#c33\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O Cap\u00edtulo Geral, muito sol\u00edcito de que nas Casas da Ordem reinem a caridade, a paz e uma fiel observ\u00e2ncia, estabeleceu que cada dois anos se enviem Visitadores a todas elas, com o fim de expressar-lhes a solicita\u00e7\u00e3o da Ordem por cada uma, e com os poderes necess\u00e1rios para solucionar qualquer dificuldade que possa apresentar-se.<\/p>\n\n\n\n<p>A Comunidade, desejando que a Visita seja um momento favor\u00e1vel no que Deus comunica sua gra\u00e7a, receber\u00e1 com esp\u00edrito de f\u00e9 aos Visitadores ou os Comiss\u00e1rios, que gozam da autoridade do Cap\u00edtulo Geral ou do Reverendo Padre. Cada monge se esfor\u00e7ar\u00e1 com toda vontade em ajud\u00e1-los ao cumprimento de seu cometido. Visitadores e monges far\u00e3o tudo o poss\u00edvel por estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de m\u00fatua confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro dever dos Visitadores \u00e9 acolher aos monges com fraterna caridade e escut\u00e1-los com sumo atendimento. Depois, se esfor\u00e7am por ajudar a todos a dar ao Senhor e a seus irm\u00e3os o melhor de si mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Exer\u00e7am seu cargo, n\u00e3o como ju\u00edzes, sen\u00e3o como irm\u00e3os a quem os tentados e afligidos possam abrir livremente sua alma, sem temor de ver divulgadas suas confid\u00eancias. Em assunto de tanta import\u00e2ncia n\u00e3o se precipitem, sen\u00e3o procedam com calma.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada um pode falar livremente com os Visitadores para expor-lhes o que requer de sua parte uma solu\u00e7\u00e3o ou um conselho, j\u00e1 se trate de sua vida pessoal ou da Comunidade. Tamb\u00e9m poder\u00e3o expor-lhes com esp\u00edrito construtivo, quaisquer coisas que pare\u00e7am \u00fateis ao bem comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de falar de outro monge, recolhamos o cora\u00e7\u00e3o ante Deus; porque tanto mais poderemos praticar a verdade na caridade, quanto com \u00e2nimo mais d\u00f3cil respondamos ao Esp\u00edrito Santo. O que boamente est\u00e1 em paz, de ningu\u00e9m suspeita. Mais vale com freq\u00fc\u00eancia guardar sil\u00eancio, que perder tempo falando de coisas que n\u00e3o se podem provar, ou de futilidades, ou ainda denunciando a quem j\u00e1 est\u00e3o em caminho de corrigir-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos Visitadores corresponde n\u00e3o s\u00f3 dialogar com cada monge em particular sen\u00e3o tamb\u00e9m com a mesma Comunidade, como se faz na primeira e a \u00faltima sess\u00e3o da Visita.<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de que a Visita produza, com a ajuda do Senhor, frutos perdur\u00e1veis, tentar\u00e3o que a mesma Comunidade tome como coisa sua a pr\u00f3pria renova\u00e7\u00e3o espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Visitadores se informar\u00e3o da marcha da Comunidade e dos progressos realizados desde a \u00faltima Visita, ou das dificuldades que tenham sobrevindo. Estimular\u00e3o \u00e0 Comunidade a perguntar-se sobre a fidelidade ao esp\u00edrito e \u00e0 letra da observ\u00e2ncia regular conforme se exp\u00f5e nos Estatutos. Examinem tamb\u00e9m as contas da Casa, e vejam como se guarda a pobreza evang\u00e9lica. Indicar\u00e3o os rem\u00e9dios aos abusos que qui\u00e7\u00e1 encontrem. A uma com os monges, e particularmente com o Prior, vejam atenciosamente com que disposi\u00e7\u00f5es se ajudar\u00e1 \u00e0 Comunidade para que sempre progrida na fidelidade a sua voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de dar por finda a Visita, escrever\u00e3o os Visitadores na Carta as orienta\u00e7\u00f5es que tenham dado e as decis\u00f5es tomadas, e a redigir\u00e3o em termos singelos e acomodados \u00e0s pessoas Sol\u00edcitos pela continuidade do progresso da Comunidade em seu caminho para Deus, recordar\u00e3o, se \u00e9 preciso, alguns pontos j\u00e1 assinalados na Carta da Visita precedente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 oportuno muitas vezes p\u00f4r antes ao corrente ao Prior das medidas que pensam tomar, e escutar suas observa\u00e7\u00f5es. Conv\u00e9m, efetivamente, que os Visitadores conhe\u00e7am as inten\u00e7\u00f5es pastorais do Prior para guiar a seus monges, a fim de apoi\u00e1-las com efic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de tomar uma decis\u00e3o com respeito a algum, ou de fazer alguma corre\u00e7\u00e3o, os Visitadores tentem escut\u00e1-lo. Se julgarem \u00fatil fazer observa\u00e7\u00f5es a um monge, se o explicar\u00e3o de palavra e de maneira que compreenda bem sua inten\u00e7\u00e3o. Finalmente, n\u00e3o se marchem da Casa sem antes segurar-se de que a Comunidade entendeu bem as inten\u00e7\u00f5es e prescri\u00e7\u00f5es da Carta.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o aproveitamento das Casas depende muito da efic\u00e1cia das Visitas os Visitadores procedam em seu of\u00edcio com solicita\u00e7\u00e3o e entrega, sem contentar-se nunca com o cumprimento meramente formal e exterior. Pensando unicamente no bem das almas, n\u00e3o poupem tempo nem esfor\u00e7os para que sua Visita aumente nos cora\u00e7\u00f5es a paz e o amor de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c33\">Cap\u00edtulo 33<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>A convers\u00e3o de vida<a href=\"#c32\">\u00ab<\/a><a href=\"#c34\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto mais elevado \u00e9 o caminho que se nos abriu aos que herdamos de nossos Pais uma forma de vida santa, maior perigo temos de cair, n\u00e3o s\u00f3 por transgress\u00f5es manifestas, sen\u00e3o tamb\u00e9m pelo peso natural da rotina. Como Deus d\u00e1 sua gra\u00e7a aos humildes, devemos recorrer sobretudo a Ele, e estar sempre em p\u00e9 de guerra, n\u00e3o seja que a vinha eleita se converta em bastarda.<\/p>\n\n\n\n<p>O que nosso ideal de vida se mantenha a sua altura, depende mais da fidelidade de cada um do que da acumula\u00e7\u00e3o de leis, a adapta\u00e7\u00e3o de nossos usos, ou inclusive a concorr\u00eancia dos Priores. N\u00e3o bastaria obedecer as ordens dos Superiores e cumprir exatamente a letra dos Estatutos, se, guiados pelo Esp\u00edrito, n\u00e3o sent\u00edssemos segundo o Esp\u00edrito. O monge, desde o come\u00e7o de sua nova vida colocado na solid\u00e3o, fica a seu livre arb\u00edtrio. Como j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 menino, sen\u00e3o var\u00e3o, n\u00e3o ande flutuando levado por todo vento, sen\u00e3o examine o que agrada a Deus e siga-o espontaneamente, pondo em jogo, com s\u00f3bria sabedoria, a liberdade dos filhos de Deus de que \u00e9 respons\u00e1vel ante o Senhor. Que ningu\u00e9m, no entanto, tenha-se por s\u00e1bio em sua pr\u00f3pria estima\u00e7\u00e3o; porque quem descuida abrir seu cora\u00e7\u00e3o a um guia experimentado, \u00e9 de temer que, defeituoso de discri\u00e7\u00e3o, caminhe menos do preciso, canse-se de correr, ou, detendo-se, fique dormido.<\/p>\n\n\n\n<p>Como, pois, poderemos cumprir nosso of\u00edcio no Povo de Deus como v\u00edtimas vivas, agrad\u00e1veis a Deus, se nos deixamos separar do Filho de Deus, que \u00e9 ao mesmo tempo vida e h\u00f3stia por excel\u00eancia, pela relaxa\u00e7\u00e3o e a inmortifica\u00e7\u00e3o, as divaga\u00e7\u00f5es da mente a v\u00e3 charlatanearia, os in\u00fateis cuidados e ocupa\u00e7\u00f5es; ou se o monge na cela se acha aprisionado por seu amor pr\u00f3prio com miser\u00e1veis preocupa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p>Esforcemo-nos com toda energia em estabilizar em Deus nossos pensamentos e afetos, com singeleza de cora\u00e7\u00e3o e castidade de mente. Cada um, esquecido de si mesmo e do caminho deixado atr\u00e1s, corra para a meta, para atingir o pr\u00eamio a que Deus o chama desde o alto em Cristo Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quem n\u00e3o ama a seu irm\u00e3o a quem v\u00ea, n\u00e3o pode amar a Deus a quem n\u00e3o v\u00ea. Dado que o fraterno di\u00e1logo entre os homens n\u00e3o se faz perfeito sen\u00e3o atrav\u00e9s do m\u00fatuo respeito das pessoas, certamente nos compete em grau m\u00e1ximo a n\u00f3s, que moramos na Casa de Deus, dar depoimento da caridade que de Deus procede, quando recebemos amavelmente aos irm\u00e3os que convivem conosco, e nos preocupamos por abra\u00e7ar com mente e cora\u00e7\u00e3o o car\u00e1ter e os modais deles, por mais diferentes do que sejam dos nossos. Porque as inimizades, as disputas e outras coisas semelhantes, nascem geralmente do desprezo dos demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Evitemos tudo o que possa prejudicar ao bem da paz; sobretudo, n\u00e3o falemos mal de nosso irm\u00e3o. Se na Casa nasce alguma dissens\u00e3o entre uns monges com outros ou entre os monges e o Prior, provem-se paciente e humildemente todos os meios que possam resolver o assunto com caridade, antes de comunic\u00e1-lo aos Visitadores, ao Reverendo Padre ou ao Cap\u00edtulo Geral. O melhor \u00e9 do que a paz se conserve na fam\u00edlia conventual, como fruto do esfor\u00e7o e a uni\u00e3o de todos. O Prior, nesses casos, n\u00e3o se mostre dominante, sen\u00e3o como um irm\u00e3o; e se est\u00e1 em culpa, que a reconhe\u00e7a e se emende.<\/p>\n\n\n\n<p>Como por causa dos Priores em grande parte decai ou floresce o esp\u00edrito nas Casas da Ordem, tentem edificar com seu exemplo, praticando antes de ensinar, sem permitir-se falar nada que o mesmo Cristo n\u00e3o tivesse querido dizer por eles. Entregados \u00e0 ora\u00e7\u00e3o ao sil\u00eancio e \u00e0 cela, fa\u00e7am-se merecedores da confian\u00e7a de seus s\u00fabditos, e mantenham com eles uma verdadeira comunh\u00e3o de caridade. Com benignidade e interesse vejam qual \u00e9 sua vida na cela e qual seu estado de \u00e2nimo, para atalhar suas tenta\u00e7\u00f5es aos come\u00e7os, n\u00e3o seja que depois, quando o mal est\u00e1 muito arraigado, aplique-se demasiado tarde o rem\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo hoje em dia h\u00e1 que evitar sobremaneira conformar-se ao mundo presente. Porque o procurar demasiado e abra\u00e7ar com facilidade as coisas que olham \u00e0 comodidade da vida, contradizem totalmente a nosso estado, especialmente porque uma novidade chama a outra. Os meios que nos concedeu a divina Provid\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o para tentar-nos uma vida de presente. O caminho para Deus \u00e9 f\u00e1cil, pois se avan\u00e7a por ele n\u00e3o se carregando de coisas, sen\u00e3o desprendendo-se delas. Despojemo-nos a tal ponto que, tendo-o deixado tudo e a n\u00f3s mesmos, participemos do estilo de vida de nossos primeiros Padres.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c34\">Cap\u00edtulo 34<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Miss\u00e3o da Ordem na Igreja<a href=\"#c33\">\u00ab<\/a><a href=\"#c35\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Quanta utilidade e gozo divino trazem consigo a solid\u00e3o e o sil\u00eancio do deserto a quem os ama, s\u00f3 o sabe quem o experimentou. Mas esta melhor parte n\u00e3o a elegemos unicamente para nosso pr\u00f3prio proveito. Ao abra\u00e7ar a vida oculta, n\u00e3o abandonamos \u00e0 fam\u00edlia humana, sen\u00e3o que, consagrando-nos exclusivamente a Deus, cumprimos uma miss\u00e3o na Igreja onde o vis\u00edvel est\u00e1 ordenado ao invis\u00edvel, a a\u00e7\u00e3o \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se realmente estamos unidos a Deus, n\u00e3o nos encerramos em n\u00f3s mesmos, sen\u00e3o que, pelo contr\u00e1rio, nossa mente se abre e nosso cora\u00e7\u00e3o se dilata, de tal forma que possa abarcar ao universo inteiro e o mist\u00e9rio salvador de Cristo. Separados de todos, unimo-nos a todos para, em nome de todos, permanecer na presen\u00e7a do Deus vivo. Esta forma de vida que, quanto o permite a condi\u00e7\u00e3o humana, orienta-se a Deus de forma direta e cont\u00ednua, p\u00f5e-nos num contato peculiar com a bem-aventurada Virgem Maria, \u00e0 que costumamos chamar M\u00e3e singular dos Cartuxos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendendo por nossa Profiss\u00e3o unicamente apara Aquele que \u00e9, damos testemunho perante um mundo demasiado implicado nas coisas terrenas, de que fora dele n\u00e3o h\u00e1 Deus. Nossa vida manifesta que os bens celestiais est\u00e3o presentes j\u00e1 neste mundo, preanuncia a ressurrei\u00e7\u00e3o e antecipa de algum modo a renova\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, pela penit\u00eancia tomamos parte na obra redentora de Cristo, que sobretudo com a ora\u00e7\u00e3o ao Pai e a sua imola\u00e7\u00e3o salvou o g\u00eanero humano cativo e oprimido pelo pecado. Assim, procurando associar-nos a este aspecto mais profundo da Reden\u00e7\u00e3o de Cristo, apesar de nos abstermos da atividade exterior, exercemos o apostolado de maneira eminente.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, entregando-nos \u00e0 quietude da cela e o trabalhando, ofere\u00e7amos a Deus um culto incessante em seu louvor, para o qual foi especialmente institu\u00edda a Ordem erem\u00edtica da Cartuxa, a fim de que, santificados na verdade, sejamos os verdadeiros adoradores que o Pai pretende.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c35\">Cap\u00edtulo 35<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Os Estatutos mesmos<a href=\"#c34\">\u00ab<\/a><a href=\"\/moines\/pt\/estatutos-pt\/livro-5\/\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Prestemos atendimento \u00e0 disciplina de nossos Pais, renovada e acomodada nestes Estatutos, e meditemo-la continuamente. N\u00e3o a abandonemos, e ela nos guardar\u00e1. Amemo-la, e nos proteger\u00e1. Ela \u00e9 a forma e o sacramento da santidade determinada por Deus para cada um de n\u00f3s. Mas \u00e9 o Esp\u00edrito o que vivifica, e quem n\u00e3o nos permite contentar-nos com a letra. Porque a isto tendem unicamente os presentes Estatutos, a que, guiados pelo Evangelho, percorramos o caminho de Deus e aprendamos a amplitude da caridade.<\/p>\n\n\n\n<p>O que n\u00e3o est\u00e1 expressado nos Estatutos, deixa-se ao arb\u00edtrio do Prior, com a condi\u00e7\u00e3o que suas disposi\u00e7\u00f5es estejam em harmonia com eles. N\u00e3o queremos, no entanto, que por este ou outro motivo mudem os Priores facilmente os costumes s\u00e3os e religiosos de suas Casas. No entanto, tais costumes nunca poder\u00e3o prevalecer contra os Estatutos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Se pecar teu irm\u00e3o, v\u00ea e corrige-o a s\u00f3s tu com ele<\/em>, diz o Senhor. Isto requer uma grand\u00edssima humildade e prud\u00eancia, e \u00e9 danoso a n\u00e3o ser que se fa\u00e7a movimentado por pura caridade, que n\u00e3o procura seu proveito. Por nossa parte, desejemos tamb\u00e9m n\u00f3s ser corrigidos. No entanto, com freq\u00fc\u00eancia ser\u00e1 melhor encomendar as advert\u00eancias ao Prior, ao Vig\u00e1rio ou ao Procurador, que as levar\u00e3o a cabo segundo se o dite sua consci\u00eancia e prud\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os monges prestem aos Estatutos uma obedi\u00eancia respons\u00e1vel, n\u00e3o por ser vistos como se procurassem agradar aos homens, sen\u00e3o com singeleza de cora\u00e7\u00e3o, temerosos de Deus. N\u00e3o esque\u00e7am que uma dispensa sem causa justa, \u00e9 nula. Ou\u00e7am e cumpram tamb\u00e9m com toda mansid\u00e3o os preceitos e advert\u00eancias de seus maiores, sobretudo os do Prior, que faz as vezes de Deus. E se alguma vez erram como homens, n\u00e3o demorem em emendar-se para n\u00e3o dar ocasi\u00e3o ao dem\u00f4nio; mais bem voltem, pelo trabalho da obedi\u00eancia \u00e0quele de quem o homem se tinha apartado pela neglig\u00eancia da desobedi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Contemplando todos os benef\u00edcios que o Senhor reservou para aqueles que chamou ao deserto, alegremo-nos com nosso Pai S\u00e3o Bruno, porque alcan\u00e7amos o ref\u00fagio tranquilo dum porto isolado, onde somos convidados a sentir, em parte, a incompar\u00e1vel beleza do Bem supremo. Alegremo-nos, pois, pelo nosso feliz destino e pela abund\u00e2ncia da gra\u00e7a que Deus derramou sobre n\u00f3s, agradecendo sempre a Deus Pai que nos fez dignos de participar da heran\u00e7a dos santos na luz. Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro 4 Cap\u00edtulo 31 O regime da Ordem\u00ab\u00bb Os primeiros Priores da Ordem, querendo assegurar a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"parent":6206,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-6214","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6214\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}