{"id":6210,"date":"2021-12-15T16:56:25","date_gmt":"2021-12-15T15:56:25","guid":{"rendered":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/?page_id=6210"},"modified":"2021-12-15T19:05:59","modified_gmt":"2021-12-15T18:05:59","slug":"livro-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/estatutos-pt\/livro-2\/","title":{"rendered":"Livro 2"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Livro 2&nbsp;: Os monges leigos<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c11\">Cap\u00edtulo 11<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Os monges leigos<a href=\"\/moines\/pt\/estatutos-pt\/livro-1#c10\">\u00ab<\/a><a href=\"#c12\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Desde suas origens, nossa Ordem, como um corpo cujos membros n\u00e3o t\u00eam todos a mesma fun\u00e7\u00e3o, compreende padres e irm\u00e3os. Tanto uns como outros s\u00e3o monges, e participam da mesma voca\u00e7\u00e3o, ainda que de maneira diversa. Gra\u00e7as a esta diversidade, a fam\u00edlia cartusiana pode cumprir mais perfeitamente sua miss\u00e3o na Igreja.<br>Os monges do claustro, de quem tratamos at\u00e9 agora, vivem no retiro de suas celas e s\u00e3o sacerdotes ou chamados a s\u00ea-lo. Os monges leigos, dos quais vamos tratar agora com a ajuda de Deus consagram sua vida ao servi\u00e7o do Senhor n\u00e3o s\u00f3 pela solid\u00e3o sen\u00e3o tamb\u00e9m por uma maior dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho manual. AOS primeiros irm\u00e3os, chamados conversos, se lhes uniram no correr do tempo outra classe de irm\u00e3os, os donatos, que, sem fazer votos, oferecem-se por amor de Cristo \u00e0 Ordem mediante um contrato rec\u00edproco. J\u00e1 que levam vida mon\u00e1stica, chamamo-los tamb\u00e9m monges.<\/li><li>Bem como os primeiros Pais de nossa Ordem seguiram as impress\u00f5es daqueles antigos monges que levaram uma vida de solid\u00e3o e pobreza de esp\u00edrito, igualmente nossos primeiros irm\u00e3os, Andr\u00e9s e Guer\u00edn, decidiram-se a abra\u00e7ar uma voca\u00e7\u00e3o parecida. \u00c9 necess\u00e1rio, pois, que os conversos e donatos n\u00e3o saiam dos termos do ermo sen\u00e3o rara vez e obrigados pela necessidade cuidando diligentemente de manter-se alheios aos rumores do s\u00e9culo. Finalmente, suas celas de tal maneira estejam isoladas que, entrando em seu interior, fechada a porta e deixando afora todos os cuidados e preocupa\u00e7\u00f5es, possam orar ao Pai em escondido repouso.<\/li><li>Os irm\u00e3os, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o da vida escondida de Jesus em Nazar\u00e9, enquanto fazem os trabalhos di\u00e1rios da Casa, louvam o Senhor com as suas obras, consagram o mundo \u00e0 gl\u00f3ria do Criador e p\u00f5em as coisas da natureza ao servi\u00e7o da vida contemplativa; mas, nas horas consagradas \u00e0 ora\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria e quando participam nas a\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, dedicam-se exclusivamente a Deus. Por isso, os lugares onde trabalham e em que habitam devem ser acondicionados de forma a favorecer o recolhimento do esp\u00edrito; e, embora providos de quanto \u00e9 necess\u00e1rio e \u00fatil, devem ter o aspecto duma verdadeira casa de Deus e n\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o profana.<\/li><li>Unidos no amor do Senhor, na ora\u00e7\u00e3o, no zelo pela solid\u00e3o e no minist\u00e9rio do trabalho, os irm\u00e3os vivem juntos sob a dire\u00e7\u00e3o do Procurador. Mostrem-se, pois, verdadeiros disc\u00edpulos de Cristo, n\u00e3o tanto de palavra quanto de obra, fomentem a caridade fraterna, tendo uns mesmos sentimentos, suportando-se mutuamente e perdoando-se se algum tem queixa contra outro, a fim de ser um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma.<\/li><li>Dentro de seu pr\u00f3prio marco de solid\u00e3o, os irm\u00e3os trabalham para providenciar \u00e0s necessidades materiais da Casa, que lhes est\u00e3o especialmente confiadas. Assim permitem aos monges do claustro consagrar-se mais livremente ao sil\u00eancio da cela.<br>Padres e irm\u00e3os, disc\u00edpulos daquele que n\u00e3o veio ser servido sen\u00e3o a servir manifestam de forma diversa as riquezas de nossa vida, consagrada totalmente a Deus na solid\u00e3o.<br>Estas duas formas de vida, na unidade de um mesmo corpo, t\u00eam gra\u00e7as diferentes, mas complementares a uma da outra e com m\u00fatua comunica\u00e7\u00e3o de bens espirituais. Tal harmonia permite ao carisma confiado pelo Esp\u00edrito Santo a nosso Pai S\u00e3o Bruno atingir sua plenitude.<\/li><li>Os padres sabem que, pelas Ordens sagradas de que est\u00e3o investidos, receberam n\u00e3o tanto uma dignidade como uma obriga\u00e7\u00e3o de servir. Al\u00e9m disso, o sacerd\u00f3cio ministerial e o sacerd\u00f3cio batismal dos leigos ordenam-se um ao outro, j\u00e1 que ambos participam do \u00fanico sacerd\u00f3cio de Cristo. Por isso, prossiga cada um pelo caminho reto, rumo ao fim \u00fanico de nosso estado, permanecendo na voca\u00e7\u00e3o a que foi chamado.<\/li><li>O Prior h\u00e1-de ser para todos os seus filhos, monges do claustro e leigos, um signo vivo do amor do Pai celestial, unindo-os em Cristo de tal maneira que formem uma fam\u00edlia e que, segundo a express\u00e3o de Guigo, cada uma de nossas Casas seja realmente, uma&nbsp;<em>igreja cartusiana<\/em>.<\/li><li>A qual tem sua raiz e fundamento na celebra\u00e7\u00e3o do Sacrif\u00edcio Eucar\u00edstico, que \u00e9 signo eficaz de unidade. \u00c9 tamb\u00e9m o centro e cume de nossa vida, e ademais vi\u00e1tico espiritual de nosso \u00caxodo, por onde na solid\u00e3o retornamos por Cristo ao Pai. Assim mesmo, em todo o curso da Liturgia, Cristo como nosso Sacerdote ora por n\u00f3s, e como Cabe\u00e7a nossa ora em n\u00f3s.<\/li><li>E como o caminho mais seguro para ir a Deus \u00e9 seguir de perto as impress\u00f5es de nossos Fundadores, os irm\u00e3os devem propor-se como modelos aos primeiros conversos da Grande Cartuxa, que, sem contar ainda com uma regra escrita, deram forma e esp\u00edrito a seu g\u00eanero de vida.<br>Sua recorda\u00e7\u00e3o inundava de gozo o cora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Bruno, e o movia a escrever:&nbsp;<em>De voc\u00eas, amar\u00edssimos irm\u00e3os leigos, digo: Minha alma glorifica ao Senhor ao ver a grandeza de sua miseric\u00f3rdia sobre voc\u00eas. Alegro-me tamb\u00e9m de que, ainda sem ser letrados, Deus todo-poderoso grava com seu dedo em vossos cora\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 o amor, sen\u00e3o tamb\u00e9m o conhecimento de sua santa lei. Com vossas obras, efetivamente, demonstrais o que amais e conheceis. Porque praticais com todo o cuidado e zelo poss\u00edveis a verdadeira obedi\u00eancia, que \u00e9 o cumprimento da vontade de Deus e a clave e o selo de toda vida espiritual. Obedi\u00eancia que n\u00e3o existe nunca sem muita humildade e grande paci\u00eancia, e que sempre vai acompanhada do casto amor do Senhor e da verdadeira caridade. O qual p\u00f5e de manifesto que recolheis sabiamente o fruto muito suave e vivificador da Escritura divina. Permanecei, pois, irm\u00e3os meus, no estado ao que chegastes<\/em>.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c12\">Cap\u00edtulo 12<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>A solid\u00e3o<a href=\"#c11\">\u00ab<\/a><a href=\"#c13\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A nossa principal aplica\u00e7\u00e3o e prop\u00f3sito consistem em encontrar Deus no sil\u00eancio e na solid\u00e3o. Aqui, o Senhor e o seu servo conversam frequentemente como dois amigos, a alma fiel une-se muitas vezes ao Verbo de Deus, a esposa convive com o Esposo, as coisas da terra se ligam \u00e0s do C\u00e9u, as humanas \u00e0s divinas. Mas geralmente \u00e9 longo o trajeto a percorrer, por caminhos \u00e1ridos e secos, at\u00e9 chegar \u00e0 fonte \u00e1 fonte da \u00e1gua viva.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, geralmente \u00e9 longo o caminho de peregrina\u00e7\u00e3o por sendas \u00e1ridas e ressecas at\u00e9 chegar \u00e0s fontes de \u00e1guas vivas.<\/p>\n\n\n\n<p>O irm\u00e3o deve vigiar com atencioso cuidado a solid\u00e3o exterior, que com freq\u00fc\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 protegida pelo retiro do claustro e a guarda da cela. Mas de nada aproveita a solid\u00e3o exterior se n\u00e3o guarda tamb\u00e9m sempre a solid\u00e3o interior, ainda durante o trabalho, bem que sem viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre que n\u00e3o assistam ao Of\u00edcio divino na igreja nem estejam ocupados nos trabalhos das obedi\u00eancias, os irm\u00e3os se retiram a sua cela como ao ref\u00fagio mais seguro e calmo do porto. Na qual permanecem com paz e, quanto seja poss\u00edvel, sem fazer nenhum ru\u00eddo, seguindo fielmente a ordem dos exerc\u00edcios, fazendo-o tudo na presen\u00e7a de Deus, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, dando por sua m\u00e9dio gra\u00e7as a Deus Pai. Nela se ocupam proveitosamente lendo ou meditando, sobretudo a Sagrada Escritura, que \u00e9 o alimento da alma, ou se entregam \u00e0 ora\u00e7\u00e3o segundo suas possibilidades, n\u00e3o procurando nem aproveitando nenhuma ocasi\u00e3o para sair fora, salvo nas geralmente estabelecidas, ou que procedam da obedi\u00eancia. O homem por natureza foge \u00e0s vezes do sil\u00eancio da solid\u00e3o e da quietude; pelo qual diz tamb\u00e9m Santo Agust\u00edn:&nbsp;<em>Para os amigos deste mundo n\u00e3o h\u00e1 nada t\u00e3o trabalhoso como n\u00e3o trabalhar<\/em>. Tamb\u00e9m podem \u00e0s vezes os irm\u00e3os, para seu proveito espiritual, dedicar-se a pequenos trabalhos em sua cela, com o consentimento do Procurador.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro ato de caridade para com nossos irm\u00e3os \u00e9 respeitar sua solid\u00e3o; se temos permiss\u00e3o para falar de algum assunto em sua cela, evitemos palestras in\u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do toque do \u00c2ngelus da tarde n\u00e3o v\u00e3o os irm\u00e3os \u00e0 cela do Prior ou o Procurador sem ser chamados. Depois dessa hora s\u00f3 ficam com os h\u00f3spedes os encarregados de servir-lhes Igualmente, quando um est\u00e1 na cela de outro ou em outra parte, quanto ouve esse toque vespertino deve retirar-se em seguida a n\u00e3o ser que tenha ordem especial de deter-se por mais tempo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c13\">Cap\u00edtulo 13<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>A clausura<a href=\"#c12\">\u00ab<\/a><a href=\"#c14\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 que deixamos o mundo para sempre a fim de assistir incessantemente ante a Divina Majestade, conscientes das exig\u00eancias de nosso estado, sentimos horror por sair e percorrer lugares e cidades. Mas de nada serviria um rigor t\u00e3o grande na clausura, se n\u00e3o tend\u00eassemos por ela \u00e0 pureza de cora\u00e7\u00e3o \u00e0 qual somente se promete a vis\u00e3o de Deus. Para consegui-la, requer-se uma grande abnega\u00e7\u00e3o, sobretudo da natural curiosidade que o homem sente por tudo o humano. N\u00e3o devemos permitir que nosso esp\u00edrito se derrame pelo mundo, andando \u00e0 busca de not\u00edcias e rumores. Pelo contr\u00e1rio, nossa parte \u00e9 permanecer ocultos no segredo do rosto do Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando \u00e9 enviado um irm\u00e3o a um lugar pr\u00f3ximo, n\u00e3o aceita comida nem bebida de ningu\u00e9m, nem alojamento, sem um mandato especial, ou obrigado por alguma necessidade inevit\u00e1vel e imprevista.<\/p>\n\n\n\n<p>O Porteiro seja am\u00e1vel com todos, religiosamente educado, e abstenha-se por completo do muito falar; assim edificar\u00e1 aos leigos com o bom exemplo. Quando tenha que receber ou com mansid\u00e3o despedir a algu\u00e9m, fa\u00e7a-o com palavras atenciosas, mas muito breves. E o mesmo se manda praticar a quem faz suas vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>Recordemos assim mesmo que os leigos n\u00e3o esperam do cartuxo que lhes fale de v\u00e3os rumores ou de pol\u00edtica; por isso, evitando todo tema profano ou fr\u00edvolo, escrevamos sempre na presen\u00e7a de Deus, em Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>O precioso carisma do celibato \u00e9 um dom divino que libera nosso cora\u00e7\u00e3o de maneira excepcional e nos impulsiona a cada um, cativado por Cristo a entregar-se totalmente por Ele. Esta gra\u00e7a n\u00e3o deixa lugar nem \u00e0 estreiteza de cora\u00e7\u00e3o nem ao ego\u00edsmo, sen\u00e3o que, em resposta ao amor inef\u00e1vel que Cristo nos manifestou, deve dilatar nosso amor de tal maneira que um convite irresist\u00edvel inflame a alma a sacrificar-se sempre mais plenamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja, pois, a alma do monge, na solid\u00e3o, como um lago tranquilo, cujas \u00e1guas brotam do fundo mais puro do Esp\u00edrito; nenhum ru\u00eddo vindo de fora as perturba e, como l\u00edmpido espelho, s\u00f3 refletem a imagem de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c14\">Cap\u00edtulo 14<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio<a href=\"#c13\">\u00ab<\/a><a href=\"#c15\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Deus conduziu a seu servo \u00e0 solid\u00e3o para falar-lhe ao cora\u00e7\u00e3o; mas s\u00f3 o que escuta em sil\u00eancio percebe o sussurro da suave brisa que manifesta ao Senhor. Ainda que ao princ\u00edpio nos resulte no duro calar, gradualmente, se somos fi\u00e9is, nosso mesmo sil\u00eancio ir\u00e1 criando em n\u00f3s uma atra\u00e7\u00e3o para um sil\u00eancio cada vez maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, n\u00e3o lhes est\u00e1 permitido aos irm\u00e3os falar indistintamente o que queiram, com quem queiram ou o tempo que queiram. No entanto, podem falar do que seja \u00fatil para seu trabalho, mas em poucas palavras e baixinho. Al\u00e9m do que corresponde \u00e0 utilidade do trabalho, s\u00f3 podem falar com licen\u00e7a, tanto com os monges como com os estranhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a guarda do sil\u00eancio \u00e9 de suma import\u00e2ncia na vida dos irm\u00e3os \u00e9 preciso que guardem cuidadosamente esta regra. Nos casos duvidosos n\u00e3o previstos pela lei, fica \u00e0 discri\u00e7\u00e3o de cada qual o julgar se lhe est\u00e1 permitido falar e quanto, segundo sua consci\u00eancia e a necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A devo\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito que habita em n\u00f3s e a caridade fraterna pedem que os irm\u00e3os contem e me\u00e7a suas palavras quando lhes est\u00e1 permitido falar. \u00c9 de crer que um col\u00f3quio longo e inutilmente prolongado contrista mais ao Esp\u00edrito Santo e dissipa mais do que poucas palavras, inclusive il\u00edcitas, mas em seguida interrompidas. Freq\u00fcentemente, a conversa que come\u00e7a sendo \u00fatil, degenera cedo em in\u00fatil, para terminar sendo censur\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Domingos e Solenidades, e tamb\u00e9m os dias dedicados especialmente ao retiro, guardam com mais cuidado o sil\u00eancio e a cela. Todos os dias, desde o toque vespertino do \u00c2ngelus at\u00e9 Prima, deve reinar em toda a Casa um sil\u00eancio perfeito, que n\u00e3o podemos quebrantar sem verdadeira e urgente necessidade. Porque este tempo da noite, segundo os exemplos da Escritura e o sentir dos antigos monges, favorece de um modo especial o recolhimento e o encontro com Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se permitam tamb\u00e9m n\u00e3o os irm\u00e3os dirigir a palavra sem permiss\u00e3o \u00e0s pessoas de fora que chegam, nem conversar com eles; unicamente se lhes permite devolver a sauda\u00e7\u00e3o aos que encontrem ao passo ou se lhes acerquem, e responder brevemente ao que lhes perguntem, escusando-se com que n\u00e3o t\u00eam permiss\u00e3o para falar mais.<\/p>\n\n\n\n<p>A guarda do sil\u00eancio e o recolhimento interior requerem uma especial vigil\u00e2ncia de parte dos irm\u00e3os, que t\u00eam tantas ocasi\u00f5es de falar. N\u00e3o poder\u00e3o ser perfeitos neste ponto, se n\u00e3o tentam atenciosamente andar na presen\u00e7a de Deus.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c15\">Cap\u00edtulo 15<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>O trabalho<a href=\"#c14\">\u00ab<\/a><a href=\"#c17\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os irm\u00e3os trabalham nas horas determinadas: atendendo \u00e0s necessidades da Casa, eles, com seu trabalho realizado em companhia de Jesus, o filho do Carpinteiro, fazem com que toda a cria\u00e7\u00e3o concorra para o louvor da gl\u00f3ria de Deus, e glorificam o Pai fazendo participar homem todo na obra da Reden\u00e7\u00e3o. No suor e na fadiga do trabalho encontram uma parcela da cruz de Cristo, tornando-se assim, gra\u00e7as \u00e0 luz de sua Ressurrei\u00e7\u00e3o, participantes dos novos c\u00e9us e da nova terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a antiga tradi\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica, o trabalho \u00e9 um meio muito eficaz de progresso para a caridade perfeita pela pr\u00e1tica das virtudes Pelo equil\u00edbrio que estabelece entre o homem interior e o exterior, o trabalho ajuda tamb\u00e9m ao irm\u00e3o a sacar mais fruto da solid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas obedi\u00eancias, e em tudo o que t\u00eam a seu cargo, os irm\u00e3os seguem as disposi\u00e7\u00f5es do Prior e do Procurador, aproveitando seus dotes naturais e os dons da gra\u00e7a no desempenho dos cargos que se lhes encomendem. Assim, pela obedi\u00eancia, aumenta-se a liberdade de filhos de Deus, e com esta submiss\u00e3o volunt\u00e1ria contribuem \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o do Corpo de Cristo segundo o plano divino.<\/p>\n\n\n\n<p>O Procurador com respeito aos irm\u00e3os, bem como o Encarregado de obedi\u00eancia com respeito a seus ajudantes, exer\u00e7am sua autoridade com esp\u00edrito de servi\u00e7o, de sorte que manifestem a caridade com que Deus os amou. Confiram-nos e escutem-nos gostosos, salva, com tudo, sua autoridade para decidir e ordenar o que tenha que fazer. Assim todos cooperam no cumprimento do dever com uma obedi\u00eancia ativa e cheia de amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Unidos a Cristo Jesus, que sendo rico se fez pobre por n\u00f3s, os irm\u00e3os trabalham sempre com esp\u00edrito de pobreza. Evitam, em especial tudo esbanja, e vigiam para que as ferramentas n\u00e3o se estraguem. P\u00f5em, igualmente, sumo cuidado em conservar em bom estado seus instrumentos, e, sobretudo, as m\u00e1quinas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Enfermeiro e tamb\u00e9m o Cozinheiro, e os que tenham que atender \u00e0s necessidades especiais dos enfermos, rodeiem de amor aos afligidos pela doen\u00e7a; mais ainda, reconhe\u00e7am neles a imagem de Cristo paciente, e alegrem-se de poder servir e aliviar a Cristo nos enfermos.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida do irm\u00e3o, em primeiro lugar, ordena-se a que unido a Cristo permane\u00e7a em seu amor. Assim, mediante a gra\u00e7a da voca\u00e7\u00e3o aplique-se de todo cora\u00e7\u00e3o a ter a Deus sempre presente, j\u00e1 na solid\u00e3o da cela, j\u00e1 tamb\u00e9m em seus trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c17\">Cap\u00edtulo 17<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>O novi\u00e7o<a href=\"#c15\">\u00ab<\/a><a href=\"#c18\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Quem, ardendo em amor divino, deseja abandonar o mundo e captar as coisas eternas, quando chegam a n\u00f3s recebamo-los com o mesmo esp\u00edrito. \u00c9, pois, muito conveniente que os novi\u00e7os encontrem nas Casas onde t\u00eam de ser formados, um verdadeiro exemplo de observ\u00e2ncia regular e de piedade, de guarda da cela e do sil\u00eancio, e tamb\u00e9m de caridade fraterna. Se chegasse a faltar isto, mal se poder\u00e1 esperar que perseverem em nosso modo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos que se apresentem como candidatos, se os tem de examinar atenciosa e prudentemente, segundo o aviso do ap\u00f3stolo S\u00e3o Juan:&nbsp;<em>Examinai se os esp\u00edritos v\u00eam de Deus<\/em>. Porque \u00e9 realmente verdadeiro que da boa ou m\u00e1 admiss\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos novi\u00e7os depende principalmente a prosperidade ou decad\u00eancia da Ordem, tanto na qualidade como no n\u00famero das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, os Priores devem informar-se com prud\u00eancia sobre sua fam\u00edlia, sua vida passada e suas qualidades de alma e corpo; pela mesma raz\u00e3o, convir\u00e1 conferir a m\u00e9dicos prudentes que conhe\u00e7am bem nosso g\u00eanero de vida. Efetivamente, entre as dotes pelas que os candidatos \u00e0 vida solit\u00e1ria devem ser estimados, tem de contar-se sobretudo um ju\u00edzo equilibrado e s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o acostumamos receber novi\u00e7os antes de que tenham come\u00e7ado os vinte anos; inclusive entre os que pe\u00e7a ser admitidos, recebam-se t\u00e3o s\u00f3 aqueles que, a ju\u00edzo do Prior e da maioria da Comunidade, tenham suficiente piedade, maturidade e for\u00e7as corporais para levar os \u00f4nus da Ordem; e sejam o bastante aptos, sem d\u00favida para a solid\u00e3o, mas tamb\u00e9m para a vida comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas conv\u00e9m que sejamos mais circunspetos na recep\u00e7\u00e3o das pessoas de idade madura, j\u00e1 que se acostumam mais dificilmente \u00e0s observ\u00e2ncias e nossa forma de vida; por isso, n\u00e3o queremos que se receba aspirante algum ao estado de converso passados os quarenta e cinco anos, sem licen\u00e7a expressa do Cap\u00edtulo Geral ou do Reverendo Padre. Tal licen\u00e7a se requer tamb\u00e9m para admitir ao noviciado a um religioso paquerado o v\u00ednculo da Profiss\u00e3o em outro Instituto, e se se trata de um professo de votos perp\u00e9tuos, o Reverendo Padre precisa do consentimento do Conselho Geral. Para admitir a algu\u00e9m unido anteriormente com votos a um Instituto religioso se nos aconselha ouvir antes ao Reverendo Padre.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se nos apresenta algum pedindo ser irm\u00e3o nosso, \u00e9 necess\u00e1rio que n\u00e3o pade\u00e7a nenhum impedimento leg\u00edtimo, que vinga movido por reta inten\u00e7\u00e3o, e que seja apto para levar os \u00f4nus da Ordem Raz\u00e3o pela qual seja interrogado devidamente sobretudo aquilo cujo conhecimento pare\u00e7a necess\u00e1rio ou oportuno para formar um ju\u00edzo reto a respeito de sua admiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumprido isto, exp\u00f5e-se ao candidato o fim de nossa vida, a gl\u00f3ria que esperamos dar a Deus por nossa uni\u00e3o com sua obra redentora, e que bom e gozoso \u00e9 deix\u00e1-lo tudo para aderir-se a Cristo. Tamb\u00e9m se lhe prop\u00f5e o duro e \u00e1spero, fazendo-lhe ver, quanto seja poss\u00edvel, todo o modo de vida que deseja abra\u00e7ar. Se ante isto segue decidido, oferecendo-se com sumo gosto a seguir um caminho duro, fiado nas palavras do Senhor, e desejando morrer com Cristo para viver com Ele, por fim se lhe aconselha que, conforme ao Evangelho, se reconcilie com aqueles que tiverem alguma coisa contra ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de conviver uns dias conosco, se ao Prior lhe consta que pode ser recebido o aspirante, receber\u00e1 o manto dos postulantes de m\u00e3os do Maestro de novi\u00e7os. Exercitar-se-\u00e1 em diversos trabalhos e obedi\u00eancias, e assistir\u00e1 ao Of\u00edcio divino, para que se acostume quanto antes \u00e0 nova vida. Antes de que comece o noviciado, seja provado na Casa ao menos durante tr\u00eas meses e n\u00e3o mais de um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o postulante fosse achado humilde, obediente, casto, fiel, piedoso, equilibrado, apto para a solid\u00e3o e diligente no trabalho pode ser apresentado \u00e0 Comunidade, inclu\u00eddos os donatos perp\u00e9tuos. Apresenta\u00e7\u00e3o que fazem o Vig\u00e1rio, o Procurador e o Maestro, quem clara e exatamente p\u00f5em de manifesto as dotes e defeitos do postulante. E se toda a Comunidade, ou a maior parte, julga que pode ser admitido, corresponde ao Prior associ\u00e1-lo \u00e0 Ordem com a tomada do h\u00e1bito monacal, tendo feito antes ao menos quatro dias de retiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O novi\u00e7o, j\u00e1 que se prop\u00f5e deixar todas as coisas para seguir a Cristo, entregue integralmente ao Prior o dinheiro e as demais coisas que talvez trouxe consigo, a fim de que sejam guardadas n\u00e3o por ele mesmo, sen\u00e3o pelo Prior ou por quem este designar. Por nossa parte, n\u00e3o exigimos nem pedimos absolutamente nada aos que querem entrar em nossa Ordem ou aos novi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>O noviciado fato para monges leigos n\u00e3o vale para monges do claustro, nem vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p>O noviciado se prolonga durante dois anos; tempo que o Prior pode prorrogar, mas n\u00e3o mais de seis meses. O candidato, ao menos antes de come\u00e7ar o segundo ano, eleja entre a vida dos conversos e a dos donatos, espontaneamente e com toda liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>O candidato que passa com votos perp\u00e9tuos de outra Religi\u00e3o \u00e0 nossa uma vez cumprido o postulantado como dissemos antes, se fosse apto, \u00e9 admitido ao noviciado dos conversos, no qual permanece cinco anos antes de ser admitido \u00e0 Profiss\u00e3o solene.<\/p>\n\n\n\n<p>Para sua admiss\u00e3o ao noviciado fa\u00e7a-se igualmente depois de passados dois anos, e depois, depois de outros dois, e finalmente antes da Profiss\u00e3o solene.<\/p>\n\n\n\n<p>Se algum, j\u00e1 no segundo ano do noviciado dos donatos, ou depois de feita a Doa\u00e7\u00e3o, fosse passar ao estado dos conversos, ao Prior corresponde determinar o ordem de toda a prova\u00e7\u00e3o, de modo que esta dure ao menos sete anos e tr\u00eas meses, e se observem as normas do Direito. O mesmo se faz quando um converso novi\u00e7o ou professo de votos tempor\u00e1rios passa ao estado de donato.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se deixe aplanar o novi\u00e7o pelas tenta\u00e7\u00f5es que costumam espreitar aos seguidores de Cristo no deserto; nem confie em suas pr\u00f3prias for\u00e7as, sen\u00e3o mais bem espere no Senhor, que deu a voca\u00e7\u00e3o e levar\u00e1 a termo a obra come\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c18\">Cap\u00edtulo 18<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>A Profiss\u00e3o<a href=\"#c17\">\u00ab<\/a><a href=\"#c19\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Morto ao pecado e consagrado a Deus pelo batismo, o monge pela Profiss\u00e3o se consagra mais plenamente ao Pai e se desembara\u00e7a do mundo, para poder tender mais retamente para a perfeita caridade. Unido ao Senhor mediante um compromisso firme e est\u00e1vel, participa do mist\u00e9rio da Igreja unida a Cristo com v\u00ednculo indissol\u00favel, e d\u00e1 depoimento ante o mundo da nova vida adquirida pela Reden\u00e7\u00e3o de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>Findo laudavelmente o noviciado, o novi\u00e7o converso se apresenta ao Convento. Prostrado em Cap\u00edtulo pede miseric\u00f3rdia e suplica por amor de Deus ser admitido \u00e0 primeira Profiss\u00e3o em h\u00e1bito dos professos, como o mais humilde servidor de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de ter feito pelo menos oito dias de retiro espiritual, o dia estabelecido, o irm\u00e3o renovar\u00e1 sua peti\u00e7\u00e3o ante o Convento. Ent\u00e3o o Prior o admoestar\u00e1 sobre a estabilidade, a obedi\u00eancia, a convers\u00e3o de costumes e restantes coisas necess\u00e1rias ao estado de conversos. Depois, emitir\u00e1 na igreja a Profiss\u00e3o por tr\u00eas anos. Tem-se de tentar absolutamente que o irm\u00e3o, ao emitir seus votos, proceda com maturidade de ju\u00edzo, e n\u00e3o se comprometa sen\u00e3o com plena liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Decorrido o tri\u00eanio, ao Prior corresponde, depois do voto da Comunidade admitir ao jovem professo \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da Profiss\u00e3o tempor\u00e1ria por dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Prior admite aos professos tempor\u00e1rios \u00e0 Profiss\u00e3o solene depois do sufr\u00e1gio dos monges professos de votos solenes, e com a anu\u00eancia do Reverendo Padre. Tamb\u00e9m para esta Profiss\u00e3o dever\u00e1 fazer o irm\u00e3o duas vezes sua peti\u00e7\u00e3o em Cap\u00edtulo, como se disse ao falar da Profiss\u00e3o tempor\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque o disc\u00edpulo que segue a Cristo deve renunciar a tudo e a si mesmo, o futuro professo, antes da Profiss\u00e3o solene, renuncie a todos os bens que tenha em ato; pode tamb\u00e9m, se quer, dispor dos bens aos que tenha direito. Nenhuma pessoa da Ordem pe\u00e7a nada em absoluto de suas coisas ao professo temporal, nem sequer com fins piedosos, nem para dar esmola a quem seja, sen\u00e3o que ele disponha livremente de seus bens segundo ele decida.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia assinalado, o que vai professar emite a Profiss\u00e3o na Missa conventual, depois do Evangelho ou o Credo. Ent\u00e3o, realmente, a entrega de si mesmo que pretende fazer com Cristo, atrav\u00e9s do Prior \u00e9 aceitada e consagrada por Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O que vai professar escreva por si mesmo em l\u00edngua vern\u00e1cula a Profiss\u00e3o nesta forma e com estas palavras:&nbsp;<em>Eu, frei N., prometo\u2026 obedi\u00eancia, convers\u00e3o de meus costumes e perseveran\u00e7a neste ermo, diante de Deus e dos seus Santos e das rel\u00edquias deste ermo, constru\u00eddo em honra de Deus e da bem-aventurada sempre Virgem Maria e de S\u00e3o Juan Batista, na presen\u00e7a de Dom N., Prior.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Se se trata da Profiss\u00e3o tempor\u00e1ria, adicionem-se depois de \u00abprometo\u00bb, as palavras que limitem o tempo; se da Profiss\u00e3o solene, diga-se \u00abperp\u00e9tua\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de saber que todos nossos ermos est\u00e3o dedicados, em primeiro lugar, \u00e0 bem-aventurada sempre Virgem Maria e a S\u00e3o Juan Batista, nossos principais patronos no c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as c\u00e9dulas de Profiss\u00f5es, assinadas pelo Professo e pelo Prior que recebeu os votos, e com indica\u00e7\u00e3o da data, se guardar\u00e3o no arquivo da Casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os religiosos de nossa Ordem permanecem daqui por diante professos da Casa onde, uma vez findo o noviciado, fizeram a primeira Profiss\u00e3o, ainda que sejam transladados a outras Casas e fa\u00e7am ali sua Profiss\u00e3o solene.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o momento de sua Profiss\u00e3o, saiba o irm\u00e3o que n\u00e3o pode ter coisa alguma sem licen\u00e7a do Prior, nem ainda a bengala em que se ap\u00f3ia quando caminha, j\u00e1 que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 dono nem de si mesmo. Dado que todos os que determinaram viver regularmente t\u00eam de praticar com grande zelo a obedi\u00eancia, n\u00f3s o faremos com tanta maior entrega e fervor, quanto mais estrita e austera \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o que abra\u00e7amos; pois se, o que Deus n\u00e3o permita, esta obedi\u00eancia faltar, tantos trabalhos careceriam de m\u00e9rito De aqui que Samuel diga:&nbsp;<em>Melhor \u00e9 obedecer do que sacrificar, e melhor a docilidade do que a gordura dos carneiros<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c19\">Cap\u00edtulo 19<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>A Doa\u00e7\u00e3o<a href=\"#c18\">\u00ab<\/a><a href=\"#c20\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na Casa de Deus h\u00e1 muitas mans\u00f5es: entre n\u00f3s h\u00e1 monges do claustro e conversos, h\u00e1 tamb\u00e9m donatos que, tendo abandonado igualmente o mundo, procuraram a solid\u00e3o da Cartuxa a fim de consagrar toda sua vida a Deus, aplicando-se \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao trabalho ao amparo da clausura. Pois n\u00e3o poucas vezes os homens mais virtuosos preferiram viver e morrer no estado de donatos, para desfrutar, agregados aos filhos de S\u00e3o Bruno, de sua santa heran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Findo laudavelmente o noviciado, o novi\u00e7o donato \u00e9 admitido pelo Prior a fazer a Doa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, depois da vota\u00e7\u00e3o dos professos de votos solenes, e assim mesmo dos donatos perp\u00e9tuos.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia da Doa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria ou perp\u00e9tua, o futuro donato, tendo feito ao menos quatro dias de retiro, ler\u00e1 sua Doa\u00e7\u00e3o, escrita em l\u00edngua vern\u00e1cula, ante toda a Comunidade, antes de V\u00e9speras, sob esta forma e com estas palavras:&nbsp;<em>Eu, irm\u00e3o N., por amor de nosso Senhor Jesus Cristo e pela salva\u00e7\u00e3o de minha alma, obrigo-me a servir a Deus fielmente como Donato, observando a obedi\u00eancia e castidade, sem nada ter como pr\u00f3prio, para a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja. Por isso eu me entrego\u2026 a esta Casa, em compromisso rec\u00edproco, para a servir em todo o tempo, submetendo-me \u00e0 disciplina da Ordem, segundo as normas dos Estatutos<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da express\u00e3o \u00abme entrego\u00bb, adicione-se \u00abpor tr\u00eas anos\u00bb, se a Doa\u00e7\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1ria; e se se prorroga, indique-se o tempo de prorroga\u00e7\u00e3o; mas se a Doa\u00e7\u00e3o \u00e9 perp\u00e9tua, diga-se \u00abperpetuamente\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que o donato viva em pobreza, conserva a propriedade e a disposi\u00e7\u00e3o de seus bens. Mas antes do tempo da Doa\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua, ningu\u00e9m aliene nem permita que seja alienado nenhum de seus bens, ainda que o queira o mesmo donato.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde este momento, o donato fica constitu\u00eddo em pessoa da Ordem e incorporado a ela, podendo os Superiores, em caso de necessidade, translad\u00e1-lo a qualquer de nossas Casas. No entanto, n\u00e3o pode ser expulsado da Ordem, a n\u00e3o ser que faltasse gravemente a alguma de suas obriga\u00e7\u00f5es, em cujo caso poder\u00e1 o Prior, com o consentimento de seu Conselho, anular sua Doa\u00e7\u00e3o. Mas quando se anula um contrato de Doa\u00e7\u00e3o, ambas as partes, a saber, o Prior em nome da Comunidade, e o mesmo donato, assinem um instrumento que d\u00ea f\u00e9 desta rescis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Terminado o tri\u00eanio, ao Prior corresponde, depois da vota\u00e7\u00e3o da Comunidade, inclu\u00eddos os donatos perp\u00e9tuos, admitir ao donato \u00e0 renova\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria por dois anos. O tempo da Doa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria pode prorrog\u00e1-lo o Prior, mas n\u00e3o mais de um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Decorrido o tempo de prova\u00e7\u00e3o, ao Prior corresponde, depois da vota\u00e7\u00e3o da Comunidade, inclu\u00eddos os donatos perp\u00e9tuos, admitir ao irm\u00e3o ou \u00e0 Doa\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua, ou ao regime no que a Doa\u00e7\u00e3o se renova cada tr\u00eas anos; renova\u00e7\u00f5es para as quais n\u00e3o se repete a vota\u00e7\u00e3o. Para a Doa\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua se requer ademais o consentimento do Reverendo Padre.<\/p>\n\n\n\n<p>Os donatos s\u00e3o monges dotados de costumes pr\u00f3prios quanto ao Of\u00edcio divino e \u00e0s demais observ\u00e2ncias. Estes costumes se podem adaptar \u00e0s necessidades de cada um, de maneira que lhe permitam viver, segundo seu caminho pessoal, nossa voca\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o com Deus na solid\u00e3o e o sil\u00eancio. Esta ordenada liberdade n\u00e3o a tomar\u00e3o como uma concess\u00e3o \u00e0 sensualidade, sen\u00e3o em servi\u00e7o da caridade. Entregam-se, por tanto, ao servi\u00e7o do Senhor de diferente maneira que os conversos, mas sua oferenda a Deus n\u00e3o \u00e9 menos verdadeira, nem menos ardente seu desejo de santidade. Prestam, assim mesmo, uma ajuda muito \u00fatil \u00e0 Casa, encarregando-se as vezes de trabalhos que aos conversos lhes dificultariam a guarda de suas observ\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"c20\">Cap\u00edtulo 20<\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os<a href=\"#c19\">\u00ab<\/a><a href=\"\/moines\/pt\/estatutos-pt\/livro-3\/\">\u00bb<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os irm\u00e3os principiantes est\u00e3o sujeitos \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Maestro de novi\u00e7os, que sempre ser\u00e1 um Padre ordenado de sacerdote. Que seja, ademais, var\u00e3o sobressalente em religiosidade, quietude, sil\u00eancio, ju\u00edzo e prud\u00eancia, que arda em aut\u00eantica caridade e irradie amor de nossa voca\u00e7\u00e3o, que compreenda tamb\u00e9m a diversidade de esp\u00edritos, e tenha uma mentalidade aberta \u00e0s necessidades dos jovens. Sob sua tutela permanecem os conversos at\u00e9 sua Profiss\u00e3o solene, e os donatos at\u00e9 sua Doa\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua ou at\u00e9 que comecem o regime no que se renova a Doa\u00e7\u00e3o cada tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Maestro instrua a seus alunos a fim de que a vida de ora\u00e7\u00e3o, enraizada na f\u00e9 e na caridade, saquem-na da genu\u00edna fonte da palavra de Deus, e a adaptem \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de seu estado, como s\u00e3o a solid\u00e3o, o sil\u00eancio, a liturgia e o trabalho. Promove, tamb\u00e9m, o entendimento e o amor de nossos Estatutos bem como das tradi\u00e7\u00f5es da Ordem Se preocupar\u00e1 de que o amor dos alunos a Cristo e \u00e0 Igreja v\u00e1 em aumento de dia em dia. Uma vez por semana atende \u00e0 forma\u00e7\u00e3o em comum de seus disc\u00edpulos, tendo uma confer\u00eancia de ao menos meia hora de dura\u00e7\u00e3o, na que os instrua, sobretudo, a respeito do esp\u00edrito e as observ\u00e2ncias de nosso prop\u00f3sito. Aos novi\u00e7os se lhes concede mais tempo de cela, para que possam aplicar-se melhor a sua forma\u00e7\u00e3o espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p>Visitando aos calouros e conversando singelamente com eles em particular o Maestro observa suas disposi\u00e7\u00f5es espirituais e lhes d\u00e1 conselhos acomodados a suas necessidades especiais, para que cada um possa atingir a perfei\u00e7\u00e3o de sua voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Procurador, que por raz\u00e3o de seu cargo trata diariamente com os irm\u00e3os, os mover\u00e1 mais eficazmente \u00e0 virtude e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o com o exemplo de virtude e de vida de ora\u00e7\u00e3o do que ele mesmo pratique; porque a ci\u00eancia divina se comunica melhor vivendo-a que explicando-a.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o tempo de forma\u00e7\u00e3o, os irm\u00e3os n\u00e3o sejam sobrecarregados com excessivos exerc\u00edcios comuns ou pr\u00e1ticas alheias \u00e0 nossa Ordem. Procure-se antes inicia-los na vida de ora\u00e7\u00e3o e no verdadeiro esp\u00edrito mon\u00e1stico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao Prior e ao Maestro de novi\u00e7os pertence o julgar, segundo sua prud\u00eancia e discri\u00e7\u00e3o, da idoneidade dos candidatos ou dos irm\u00e3os jovens para seguir o g\u00eanero de vida da Ordem. Para que um seja cartuxo n\u00e3o s\u00f3 de nome, sen\u00e3o real e verdadeiramente, n\u00e3o basta querer; requer-se ademais, junto com o amor \u00e0 solid\u00e3o e a nossa vida, certa aptid\u00e3o especial de alma e corpo. Receber a algum ou ret\u00ea-lo longo tempo, quando consta que lhe faltam as dotes necess\u00e1rias, \u00e9 uma falsa e quase cruel compaix\u00e3o. Esteja muito em guarda o Maestro para que o novi\u00e7o se decida em sua voca\u00e7\u00e3o com plena liberdade, e n\u00e3o o compila em modo algum para que fa\u00e7a a Doa\u00e7\u00e3o ou a Profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro vezes ao ano d\u00ea conta, ante o Prior e o Conselho, do estado dos novi\u00e7os donatos e dos novi\u00e7os conversos; responda tamb\u00e9m \u00e0s perguntas que se lhe fa\u00e7am sobre os demais membros do noviciado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os irm\u00e3os principiantes tenham livre acesso ao Maestro de novi\u00e7os e possam tratar sempre com ele, mas espontaneamente e sem coa\u00e7\u00e3o alguma. Exortamo-los a que exponham com singeleza e confian\u00e7a suas dificuldades ao Maestro, aceitando-o como eleito pela divina Provid\u00eancia para dirigi-los e ajud\u00e1-los. Igualmente, todos os irm\u00e3os podem ir livremente ao Prior, quem, como pai comum, os receber\u00e1 benignamente e os visitar\u00e1 algumas vezes em suas celas, mostrando o mesmo interesse por todos, sem acep\u00e7\u00e3o de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os irm\u00e3os mais antigos, em especial os Encarregados de obedi\u00eancia, contribuem eficazmente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos mais jovens com quem trabalham, se lhes d\u00e3o exemplo de observ\u00e2ncia regular e praticam as virtudes e a ora\u00e7\u00e3o no viver de cada dia. No entanto, abstenham-se ou pouco menos de ter conversas, ainda sobre temas espirituais, pois n\u00e3o devem misturar-se em coisas relativas \u00e0 consci\u00eancia alheia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que a vida espiritual dos irm\u00e3os se sustente numa s\u00f3lida base, se lhes dar\u00e1 aos jovens irm\u00e3os, desde o come\u00e7o de sua vida mon\u00e1stica, uma forma\u00e7\u00e3o doutrinal, \u00e0 qual se reservar\u00e1 cada dia verdadeiro tempo. Tal forma\u00e7\u00e3o tende a que o irm\u00e3o se inicie nas riquezas latentes na Palavra de Deus e lhe permita adquirir uma percep\u00e7\u00e3o pessoal dos mist\u00e9rios de nossa f\u00e9, ao mesmo tempo que vai aprendendo a sacar fruto da medita\u00e7\u00e3o em livros s\u00f3lidos. O cargo de dar dita instru\u00e7\u00e3o corresponde ao Prior, ao Maestro e ao Procurador, quem far\u00e3o de comum acordo, segundo as prescri\u00e7\u00f5es do Cap\u00edtulo Geral.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o espiritual e doutrinal dos irm\u00e3os tem de ir-se completando durante toda a vida. Na consecu\u00e7\u00e3o deste fim ajudam ao Procurador os padres designados pelo Prior, dando cada domingo uma confer\u00eancia aos irm\u00e3os. Desde Todos os Santos at\u00e9 P\u00e1scoa, nesta confer\u00eancia se explicam os Estatutos, e se l\u00eaem os cap\u00edtulos que \u00e9 costume ler todos os anos na Comunidade dos irm\u00e3os; esta confer\u00eancia, pela que s\u00e3o tamb\u00e9m instru\u00eddos sobre as observ\u00e2ncias da Ordem, se encomendar\u00e1 preferencialmente ao Procurador. Desde P\u00e1scoa at\u00e9 a festa de Todos os Santos, tal forma\u00e7\u00e3o versar\u00e1 sobre doutrina crist\u00e3, vida espiritual, e ademais sobre Sagrada Escritura e Liturgia, segundo as normas que estabelecer\u00e1 o Prior; este ensino seja profundo e, ao mesmo tempo, adaptada \u00e0 capacidade dos irm\u00e3os. Estas duas classes de instru\u00e7\u00e3o, se parece oportuno, podem-se distribuir de outro modo, com a condi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se diminua o tempo dedicado a cada uma.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, os irm\u00e3os aprender\u00e3o a sublime ci\u00eancia de Jesus Cristo, se se disp\u00f5em a receb\u00ea-la com uma vida de ora\u00e7\u00e3o silenciosa, oculta com Cristo em Deus. Esta \u00e9 a vida eterna, que conhe\u00e7amos ao Pai e a seu enviado, Jesus Cristo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro 2&nbsp;: Os monges leigos Cap\u00edtulo 11 Os monges leigos\u00ab\u00bb Desde suas origens, nossa Ordem, como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"parent":6206,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-6210","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6210\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}