{"id":2868,"date":"2021-05-04T02:22:37","date_gmt":"2021-05-04T00:22:37","guid":{"rendered":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/?page_id=2868"},"modified":"2022-01-03T20:58:43","modified_gmt":"2022-01-03T19:58:43","slug":"sao-bruno","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Bruno"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p><\/p>\n<div id=\"toc_container\">\n<ul class=\"toc_list\">\n  <li><a href=\"#bruno_cologne\">1. Col\u00f3nia e Reims<\/a><\/li>\n  <li><a href=\"#bruno_chartreuse\">2. Chartreuse<\/a><\/li>\n  <li><a href=\"#vie_en_chartreuse\">3. Vida em Chartreuse<\/a><\/li>\n  <li><a href=\"#bruno_rome\">4. Roma<\/a><\/li>\n  <li><a href=\"#bruno_calabre\">5. Cal\u00e1bria<\/a><\/li>\n  <li><a href=\"#bruno_mort\">6. Morte e glorifica\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-top is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"603\" height=\"678\" src=\"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Bruno_Pereira-MF.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2774\" srcset=\"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Bruno_Pereira-MF.jpg 603w, https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Bruno_Pereira-MF-267x300.jpg 267w\" sizes=\"(max-width: 603px) 100vw, 603px\" \/><figcaption><em>S\u00e3o Bruno<\/em>, par M. Pereira, escultor portugu\u00eas (circa 1650)<br>Cartuxa de Miraflores, Espanha<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"bruno_cologne\">Col\u00f3nia e Reims<\/h2>\n\n\n\n<p id=\"_2\">Mestre Bruno era alem\u00e3o<span id='easy-footnote-1-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-1-2868' title='Cr\u00f3nica Magister.'><sup>1<\/sup><\/a><\/span>. Nasceu por volta de 1030, na ilustre cidade de Col\u00f3nia, de pais famosos<span id='easy-footnote-2-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-2-2868' title='Idem.'><sup>2<\/sup><\/a><\/span>. Ainda jovem, foi nomeado c\u00f3nego da igreja de S\u00e3o Cuniberto. Muito cedo, veio para Reims para estudar na sua famosa escola catedral, recentemente tornada c\u00e9lebre pelo s\u00e1bio Gerberto d&rsquo;Aurillac (futuro Papa Silvestre II). Ali, recebeu uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o tanto nas letras profanas como na literatura sagrada<span id='easy-footnote-3-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-3-2868' title='Idem.'><sup>3<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno converte-se em c\u00f3nego da catedral de Reims, que se situava no primeiro lugar entre as Igrejas das G\u00e1lias<span id='easy-footnote-4-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-4-2868' title='Idem.'><sup>4<\/sup><\/a><\/span>. Em 1056, foi nomeado reitor de estudos da sua escola, uma das mais prestigiadas do seu tempo. Dirigiu ali o ensino durante mais de vinte anos, distinguindo-se pela sua cultura, as suas qualidades pedag\u00f3gicas e o afeto que tinha pelos seus alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1069, um arcebispo indigno que tinha comprado algumas consci\u00eancias, foi eleito, Manass\u00e9s de Gournay, que se mostrou com uma avidez insaci\u00e1vel pelos bens temporais, sobretudo por aqueles sobre os quais n\u00e3o tinha nenhum direito. Come\u00e7ou ent\u00e3o entre alguns c\u00f3negos \u00edntegros &#8211; entre eles Bruno &#8211; e Manass\u00e9s uma longa luta. Greg\u00f3rio VII p\u00f4s fim a esta desordem em Dezembro de 1080 e dep\u00f4s o arcebispo, dando a ordem para o expulsar e eleger outro no seu lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno, mestre totalmente honesto da Igreja de Reims<span id='easy-footnote-5-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-5-2868' title='Hugues de Die, Epistola Hugonis Diensis ad papam, PL 148, 745.'><sup>5<\/sup><\/a><\/span> foi um dos candidatos mais destacados, ele que tinha sido julgado digno de sofrer persegui\u00e7\u00e3o pelo Nome de Jesus<span id='easy-footnote-6-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-6-2868' title='Idem.'><sup>6<\/sup><\/a><\/span>. Mas para ele tinha chegado a hora de responder a um chamamento mais elevado e de deixar o mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"bruno_chartreuse\">Chartreuse<\/h2>\n\n\n\n<p>Bruno abandonou ent\u00e3o todos os seus bens, as honras associadas ao seu of\u00edcio, as falsas atra\u00e7\u00f5es e as riquezas perec\u00edveis deste mundo. Ardendo em amor divino, deixou as sombras fugazes do s\u00e9culo para p\u00f4r-se a buscar bens eternos e receber o h\u00e1bito mon\u00e1stico<span id='easy-footnote-7-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-7-2868' title='S\u00e3o Bruno, Carta a Raul o Verde, \u00a7 13.'><sup>7<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Junho de 1084, ao jovem bispo Hugo de Grenoble apresenta-se Mestre Bruno, muito c\u00e9lebre pela sua piedade e sua cultura, imagem ideal da nobreza de alma, da seriedade e de uma completa perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha como companheiros o mestre Landuino, que depois dele foi Prior da Chartreuse; os dois Estev\u00e3o, o de Bourg e o de Die &#8211; tinham sido c\u00f3negos de S\u00e3o Rufo, mas por desejo da vida solit\u00e1ria, com a autoriza\u00e7\u00e3o do seu abade, juntaram-se a Bruno -; Hugo, que foi chamado o capel\u00e3o, porque era o \u00fanico entre eles a exercer as fun\u00e7\u00f5es sacerdotais; e dois leigos, a quem chamamos conversos, Andr\u00e9 e Gu\u00e9rin. Procuravam um lugar adequado para a vida erem\u00edtica, n\u00e3o tendo ainda encontrado um.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegaram movidos por esta esperan\u00e7a e atra\u00eddos pelo doce perfume da vida santa do jovem bispo. Ele recebeu-os com alegria e mesmo com respeito, falou com eles e cumpriu os seus desejos. Debaixo do seu conselho, com a sua ajuda e na sua companhia, eles foram para o deserto de Chartreuse e ali constru\u00edram um mosteiro. Pouco antes, Hugo tinha visto num sonho Deus construir no deserto uma morada para a sua gl\u00f3ria; tinha visto igualmente sete estrelas mostrando-lhe o caminho. Ora, eles eram sete, e foi por isso que abra\u00e7ou de bom grado o seu projet<span id='easy-footnote-8-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-8-2868' title='Guigo I, Vida de S\u00e3o Hugo, \u00a7 16.'><sup>8<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"vie_en_chartreuse\">Vida em Chartreuse<\/h2>\n\n\n\n<p>Na sua bondade infinita, que nunca deixa de prover \u00e0s necessidades e aos interesses da sua Igreja, Deus tinha portanto escolhido Bruno, homem de uma eminente santidade, para devolver \u00e0 vida contemplativa o brilho da sua pureza original<span id='easy-footnote-9-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-9-2868' title='S.S. Pio XI, Constitu\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Umbratilem.'><sup>9<\/sup><\/a><\/span>. Foi para este fim que fundou e governou o eremit\u00e9rio de Chartreuse durante seis anos<span id='easy-footnote-10-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-10-2868' title='Cr\u00f3nica Magister.'><sup>10<\/sup><\/a><\/span>, penetrando-o profundamente com o seu esp\u00edrito<span id='easy-footnote-11-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-11-2868' title='S.S. Pio XI, Umbratilem.'><sup>11<\/sup><\/a><\/span> e dando na sua pessoa uma regra viva aos seus filhos<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Pedro o Vener\u00e1vel, ilustre abade de Cluny e grande amigo dos Cartuxos, d\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o deste tipo de vida semelhante \u00e0 \u00e0quele dos Padres do Deserto: \u00ab\u00a0Ali, nunca deixam de se dedicar ao sil\u00eancio, \u00e0 leitura, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m ao trabalho manual, especialmente \u00e0 c\u00f3pia de livros. \u00c9 nas suas celas que, ao sinal dado pelo sino da igreja, levam a cabo uma parte da ora\u00e7\u00e3o can\u00f3nica. Para V\u00e9speras e Matinas, re\u00fanem-se todos na igreja. De este ritmo de vida se apartam em certos dias de festa&#8230; tomam ent\u00e3o duas refei\u00e7\u00f5es, cantam na igreja todas as Horas regulares e todos, sem exce\u00e7\u00e3o, tomam a sua comida no refeit\u00f3rio\u00a0\u00bb<span id='easy-footnote-12-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-12-2868' title='Pedro o Vener\u00e1vel, Liber de Miraculis, Lib. II, ch. 27, PL 189, 943.'><sup>12<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta vida inteiramente consagrada a Deus, no retiro do mundo, S\u00e3o Bruno deixou algumas impress\u00f5es inflamadas: <\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab\u00a0O que a solid\u00e3o e o sil\u00eancio do deserto trazem de utilidade e de divino gozo \u00e0queles que os amam, s\u00f3 o sabem os que j\u00e1 fizeram a experi\u00eancia disto. (&#8230;) Aqui nos esfor\u00e7amos por adquirir este olho cujo claro olhar fere de amor o esposo divino e cuja pureza nos concede ver a Deus\u00a0\u00bb<span id='easy-footnote-13-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-13-2868' title='S\u00e3o Bruno, Carta a Raul o Verde, \u00a7 6.'><sup>13<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#toc_container\" class=\"returnToTop\"> Voltar ao topo! \u2191 <\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"bruno_rome\">Roma<\/h2>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m ocorreu um acontecimento inesperado: seis anos ap\u00f3s a chegada de Bruno a Chartreuse, em 1090, o Papa Urbano II, seu antigo aluno, chamou-o para junto de si a fim de que o assistisse com a sua colabora\u00e7\u00e3o e os seus conselhos na gest\u00e3o dos assuntos eclesi\u00e1sticos<span id='easy-footnote-14-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-14-2868' title='Cr\u00f3nica Magister.'><sup>14<\/sup><\/a><\/span>. Bruno obedeceu, com dor na alma, deixou os seus irm\u00e3os e foi para a C\u00faria Romana<span id='easy-footnote-15-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-15-2868' title='Idem.'><sup>15<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os seus irm\u00e3os, n\u00e3o acreditando ser capazes de continuar sem ele, dispersaram-se, mas Bruno encorajou-os e conseguiu faz\u00ea-los voltar. No entanto, Bruno n\u00e3o p\u00f4de suportar a agita\u00e7\u00e3o e os costumes da C\u00faria<span id='easy-footnote-16-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-16-2868' title='Idem.'><sup>16<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ansioso por reencontrar a solid\u00e3o e a tranquilidade perdidas, deixou a corte pontif\u00edcia. Tendo recusado o arcebispado de Reggio, para o qual tinha sido nomeado por vontade do Papa, retirou-se para um deserto de Cal\u00e1bria chamado La Torre<span id='easy-footnote-17-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-17-2868' title='Idem.'><sup>17<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"bruno_calabre\">Cal\u00e1bria<\/h2>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as ao apoio generoso do Conde Roger, pr\u00edncipe normando de Cal\u00e1bria e de Sic\u00edlia, Bruno p\u00f4s em execu\u00e7\u00e3o o seu projeto de vida solit\u00e1ria, passando o resto da sua vida rodeado por um grande n\u00famero de leigos e de cl\u00e9rigos<span id='easy-footnote-18-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-18-2868' title='Cr\u00f3nica Magister.'><sup>18<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno escreveu ao seu amigo Raul, preboste do Cabido de Reims, uma carta not\u00e1vel, na qual evocava o novo eremit\u00e9rio, chamado Santa Maria da Torre: \u00ab\u00a0Habito num deserto situado na Cal\u00e1bria e bastante afastado por todos os lados das habita\u00e7\u00f5es dos homens; estou aqui com os meus irm\u00e3os religiosos, alguns dos quais est\u00e3o cheios de ci\u00eancia; montam uma guarda santa e perseverante, \u00e0 espera do regresso do seu Mestre, para abrir-lhe a porta assim que ele bater\u00a0\u00bb<span id='easy-footnote-19-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-19-2868' title='S\u00e3o Bruno, Carta a Raul o Verde, \u00a7 4.'><sup>19<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Landuino, prior de Chartreuse, visitou-o para discutir com ele as coisas de interesse comum relativas ao estabelecimento da voca\u00e7\u00e3o cartusiana. Nesta ocasi\u00e3o, Bruno, com uma bondade inteiramente paternal, dirigiu uma carta aos seus amados filhos de Chartreuse:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab\u00a0Frei Bruno aos seus irm\u00e3os amados mais do que tudo no mundo em Cristo: sa\u00fade no Senhor\u00a0\u00bb. Aprendi, pelos relatos detalhados e t\u00e3o consoladores do nosso feliz frei Landuino, com que inflex\u00edvel rigor seguis uma observ\u00e2ncia s\u00e1bia e verdadeiramente digna de elogios; ele falou-me do vosso santo amor, do vosso zelo incans\u00e1vel por tudo o que diz respeito \u00e0 pureza do cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 virtude: o meu esp\u00edrito exulta no Senhor. Alegrai-vos ent\u00e3o, meus irm\u00e3os muito queridos, pela vossa bem-aventurada sorte e pela generosidade da gra\u00e7a divina derramada sobre v\u00f3s. Alegrai-vos por ter escapado das ondas agitadas deste mundo, onde se multiplicam os perigos e os naufr\u00e1gios. Alegrai-vos por haver alcan\u00e7ado o repouso tranquilo e a seguran\u00e7a de um porto escondido\u00a0\u00bb<span id='easy-footnote-20-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-20-2868' title='S\u00e3o Bruno, Carta aos filhos de Chartreuse, \u00a7 1-2.'><sup>20<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>O fiel Landuino morreu no seu caminho de regresso \u00e0 Chartreuse, mas a carta chegou aos seus destinat\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"bruno_mort\">Morte e glorifica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Na Cal\u00e1bria, Bruno aplicou-se, enquanto viveu, \u00e0 voca\u00e7\u00e3o da vida solit\u00e1ria. Foi l\u00e1 que ele morreu, cerca de onze anos ap\u00f3s a sua partida de Chartreuse<span id='easy-footnote-21-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-21-2868' title='Cr\u00f3nica Magister.'><sup>21<\/sup><\/a><\/span>, rodeado pelo amor e pela venera\u00e7\u00e3o dos seus irm\u00e3os. Estes enviaram uma carta enc\u00edclica por toda a Europa, para anunciar \u00e0s igrejas e mosteiros a morte de Bruno e para pedir sufr\u00e1gios em seu favor:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00ab\u00a0Sabendo que a sua hora tinha chegado de passar deste mundo para o seu Senhor e Pai, convocou os seus irm\u00e3os, passou em revista todas as etapas da sua vida desde a sua inf\u00e2ncia, e recordou com muito esp\u00edrito os acontecimentos not\u00e1veis do seu tempo. Em seguida, exp\u00f4s a sua f\u00e9 na Trindade num discurso prolongado e profundo. E assim no domingo seguinte, 6 de Outubro do ano 1101 de Nosso Senhor, a sua alma santa deixou a sua carne mortal\u00a0\u00bb<\/em><span id='easy-footnote-22-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-22-2868' title='Carta enc\u00edclica dos eremitas da Cal\u00e1bria.'><sup>22<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Homem sedento de Deus, seduzido pelo absoluto, mas sempre discreto, o seu epit\u00e1fio tra\u00e7a um belo retrato do seu equil\u00edbrio e da sua personalidade radiante:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00ab\u00a0Em muitas coisas, Bruno deve ser elogiado, mas sobretudo nesta:<\/em><br><em>Homem com uma vida com uma muito grande igualdade, ele foi nisto singular.<\/em><br><em>Sempre tinha o rosto em festa, e a palavra ponderada.<\/em><br><em>Por detr\u00e1s do rigor de um pai, ele manifestou as entranhas de m\u00e3e.<\/em><br><em>Ningu\u00e9m o achou altivo, mas doce como um cordeiro.<\/em><br><em>Numa palavra, ele foi nesta vida o verdadeiro israelita [um homem sem falsidade]\u00a0\u00bb<\/em><span id='easy-footnote-23-2868' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/chartreux.org\/moines\/pt\/sao-bruno\/#easy-footnote-bottom-23-2868' title='Tituli funebres, \u00a7 1.'><sup>23<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"586\" height=\"666\" src=\"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Carducho_cor_ret.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2775\" srcset=\"https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Carducho_cor_ret.jpg 586w, https:\/\/chartreux.org\/moines\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Carducho_cor_ret-264x300.jpg 264w\" sizes=\"(max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><figcaption><em>S\u00e3o Bruno reza no deserto de Cal\u00e1bria<\/em>, por V. Carducho (circa 1630)<br>Cartuxa do Paular, Espanha<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">*<\/p>\n\n\n\n<p>A reputa\u00e7\u00e3o de santidade de Mestre Bruno tinha-se espalhado por todo o lado. O irm\u00e3o converso que levava a carta enc\u00edclica p\u00f4de constatar que em todas as partes, em Fran\u00e7a, em It\u00e1lia, em Inglaterra, o antigo mestre e o fundador dos Cartuxos era conhecido e venerado. Recolheu 178 elogios ou t\u00edtulos funer\u00e1rios, a maioria em verso, que constituem um not\u00e1vel paneg\u00edrico e mostram o lugar que ele ocupava entre os seus contempor\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos s\u00e9culos, a Ordem estendeu-se, e o mundo crist\u00e3o admirava-se, com raz\u00e3o, que os cartuxos n\u00e3o pedissem \u00e0 Santa S\u00e9 a canoniza\u00e7\u00e3o do seu fundador. De facto, os cartuxos tinham-se contentado em seguir os seus passos e, de acordo com a sua voca\u00e7\u00e3o de vida oculta, nunca tinham pedido a canoniza\u00e7\u00e3o para nenhum dos seus&#8230;, mas uma exce\u00e7\u00e3o se impunha.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cap\u00edtulo Geral da Ordem de 1514, sob a dire\u00e7\u00e3o do Reverendo Padre Geral Dom Francisco du Puy, homem brilhante e culto, decidiu que seriam tomadas as dilig\u00eancias necess\u00e1rias. A Ordem dos Cartuxos encontrava-se no seu apogeu; contava com cerca de 5600 religiosos, monges e monjas, repartidos por 198 mosteiros disseminados por toda a Europa. Le\u00e3o X acolheu com bondade o pedido dos Cartuxos, confirmando que estava bem fundado, e a 19 de Julho de 1514 autorizou a festa lit\u00fargica de Bruno de Col\u00f3nia pelo que \u00e9 conhecido como uma \u00ab\u00a0canoniza\u00e7\u00e3o equipolente\u00a0\u00bb, ou seja, por um decreto emitido pela sua pr\u00f3pria autoridade, sem passar pelo processo habitual de canoniza\u00e7\u00e3o. Esta inscri\u00e7\u00e3o de Bruno no cat\u00e1logo dos Santos, e mais tarde, em 1623, a extens\u00e3o da sua festa \u00e0 Igreja Universal, suscitou um interesse renovado pela sua figura espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua paternidade permanece viva.<\/p>\n\n\n\n<iframe src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/660673696?h=7abffed6bb\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">DVD  <strong>Saint Bruno, P\u00e8re des Chartreux<\/strong> (extraits)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#toc_container\" class=\"returnToTop\"> Voltar ao topo! \u2191 <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Col\u00f3nia e Reims 2. Chartreuse 3. Vida em Chartreuse 4. Roma 5. Cal\u00e1bria 6. 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